Meninas teriam sido espancadas em unidade da Fundação Casa, de acordo com familiares; órgão afirma que ‘não houve nem mesmo arranhão’

No último dia 11 de novembro, um grupo de meninas teria sofrido agressão física, em meio a sessões de espancamentos e agressão verbal intensa na Fundação Casa (antiga Febem), em Taipas, zona norte de São Paulo, de acordo com depoimentos de familiares – em reportagem do site Ponte. No caso, as meninas teriam sido levadas nuas – diante de monitores (homens e mulheres) – sendo agredidas com pontapés, uma das meninas teria quebrado os dedos e costelas.  As mães ainda relatam que durante a revista, as internas que pediram para ir ao banheiro, foram forçadas a urinar ali mesmo, diante de todos. A suposta ação dos agentes começou após funcionários ouvirem duas meninas mencionarem sobre fugir da unidade.

No vídeo abaixo – publicado pela “Ponte” – as mães contam mais detalhes sobre a denúncia, inclusive, a gravação mostra o momento em que elas buscam por informações sobre as filhas, ao se dirigirem à unidade, e não são atendidas pelos funcionários, ao acionarem o interfone na portaria da fundação.  “As autoridades deveriam vir aqui para socorrer essas meninas e saber o que está acontecendo. Foi muito triste ter que escutar da minha filha sobre essas agressões, eu passei muito mal”, afirma Janete Arruda Ferreira, mãe de umas das duas jovens.

“Eu gostaria muito abraçar e beijar a minha filha, além de outras meninas, que não têm familiares. Queria dizer a elas, que independente (sic), do que elas fizeram, nós amamos muito elas (sic) e que iremos lutar por elas”, afirma outra mãe de uma das internas, identificada no vídeo como Ruth.

Outro lado

“Os próprios familiares confirmam que as adolescentes estavam armando uma fuga em massa. A partir do momento em que a Fundação Casa tem essa informação, a equipe faz uma revista minuciosa. Elas foram revistadas, mas não houve agressão física, por parte dos funcionários. Além disso, as duas meninas que falavam sobre a fuga foram separadas e isso causou indignação aos familiares delas. Elas foram separadas para não causarem um problema maior. A fundação Casa agiu em prevenção”,  segundo a assessoria de imprensa da Fundação Casa, em entrevista por telefone ao LEAD.

De acordo com ele,  a fundação enviou uma equipe de enfermeiros da Fundação Casa para comprovar se as internas foram machucadas, conforme a denúncia. “Mandamos essa equipe que detectou não haver qualquer sinal de agressão física nas meninas, não havia, sequer, arranhões. Conversamos com as mães das duas meninas, mas elas não aceitaram a separação entre as filhas na unidade, por isso, estão alimentando essa inverdade sobre a agressão nos veículos de mídia. A Fundação Casa não compactua com qualquer tipo de agressão. Estamos agindo com transparência”, segundo a entidade. Confira abaixo a nota oficial enviada pela assessoria de imprensa:

“Fundação CASA repudia agressão em seus centros socioeducativos. A Assessoria de Imprensa da Fundação CASA ressalta que a Instituição não tolera qualquer tipo de desrespeito aos direitos humanos dos (as) adolescentes atendidos em seus centros socioeducativos bem como não compactua com eventuais práticas de maus-tratos. A instituição baseia seu atendimento nos pressupostos legais do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e no Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase).

Sobre as supostas denúncias de maus-tratos no centro socioeducativo feminino Parada de Taipas, da Fundação CASA, equipes da área de saúde, da supervisão e da Corregedoria Geral da Instituição foram até o centro socioeducativo e, até o momento, não constataram nenhum tipo de agressão contra as adolescentes.

Sempre agindo com transparência, a Fundação CASA conta com uma Ouvidoria aberta à sociedade e aos adolescentes atendidos. Tem, também, uma Corregedoria Geral, com poder e independência para apurar os casos em que há suspeitas de má-conduta internamente. Importante ressaltar que, em todos os casos de suspeitas de maus-tratos, o Ministério Público e o Poder Judiciário são informados das apurações”.

Outros supostos casos de agressão no passado

Alguns internautas se posicionaram sobre o assunto relacionado às denúncias de agressão na entidade, inclusive, há relatos de supostos ex-internos sobre casos de abusos enquanto estiveram na fundação. Uma jovem postou essa declaração no espaço destinado a comentários no site “Ponte”:

“Também fui vitima de muitas agressões, não apenas pontapés, e socos, mas já aconteceu de muitas vezes me algemarem em grades e apanhava na cara, sendo chamada de vagabunda. Isso não se aconteceu apenas uma vez, mas muitas e muitas vezes (sic). Realmente é pura opressão, não pode ser chamada de Medida Socio Educativa, porque não há nenhuma resocialização, apenas opressão (sic)”, afirma.

Um rapaz também se posicionou: “Eu já passei por isso nessa unidade eu estou revoltado sai fais poko (sic) tempo mais isso n vai fika asim cade os juiz que n ver isso e que n via oque nois passava la eles olha pra gente como um nada (sic)”, declara.

E em relação a esses casos anteriores citados pelos internautas, o diretor de comunicação da Fundação Casa afirma que “tudo isso está sendo investigado pela entidade”.

Por Letícia Veloso

 

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